terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Abel Hipólito, A República e o Exército
Na abertura da Revista Militar de Janeiro de 1911, há portanto 101 anos, o general do estado-maior, Abel Hipólito, sob o título “O Exército e as instituições”, tece um longo elogio às novas autoridades republicanas e ao esforço de renovação encetado com a implantação do novo regime, três meses antes. Era ainda um período de grande expectativa para a sociedade portuguesa, que começou por acreditar numa profunda mudança de métodos e de rumo. Mas, dentro da Força Armada, sempre existiu um sector apoiante da República e dos seus dirigentes, em especial do Partido Democrático, que era o caso do general Abel Hipólito, participante do movimento de 5 de Outubro. Eis alguns trechos da sua crónica:
“A abertura do novo ano civil aparece-nos, em Portugal, caracterizada por uma transformação profunda no seu modo de ser social e político. Trinta e seis horas de sumária luta bastaram para derruir pela base uma instituição de séculos. E, agora, os heróicos demolidores de ontem, na sequência lógica do seu esforço, fazem consistir o melhor da sua assombrosa actividade no patriótico empenho de erguerem, sobre os escombros fumegantes do passado, a radiosa, a sólida e forte organização duma sociedade nova. Transcenderia os limites da função especial da Revista Militar a crítica, feita neste lugar, dos acontecimentos, ou a singela apreciação sequer desse arcaboiço colossal de remodelação em que, por banda de todos os ministérios, tão patriótica e intensamente se trabalha. Mas evidentemente que, no plano vastíssimo de reformas a que com tão louvável valentia meteu ombros o Portugal republicano, tem importância primacial tudo quanto diz respeito à organização da força pública. Não será portanto descabido nós analisarmos rapidamente: primeiro, se a renovação radical, a que estamos assistindo das fórmulas e condições essenciais do viver da sociedade portuguesa, deve ser acompanhada por uma transformação paralela nas forças de terra e mar; segundo, se, dada a necessidade deste paralelismo de acção renovadora, vai procurando realizá-lo a orientação e o esforço da acção governativa.
Quanto ao primeiro ponto, cremos não poder haver dúvida. A nossa marinha e o nosso exército careciam de ser remodelados, para nos servirmos duma frase popular, «dos pés à cabeça». E também não é menos certo que, para que semelhante renovação resulta eficaz, tudo há para refazer (…).
No regime essencialmente democrático em que entrámos, o que pretende, o que deve a República fazer do soldado? Um cidadão consciente. Doravante, o nosso soldado, que tem de ser todo o homem válido, deixará de constituir uma das automáticas peças duma anacrónica engrenagem, para se converter numa das células do organismo social chamado nação (…)”.
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domingo, 15 de janeiro de 2012
Alexandre Herculano, A História e a verdade
Alexandre Herculano publicou o I tomo da sua História de Portugal em 1846, há portanto 166 anos. Na “Advertência” à primeira edição, o autor chama a atenção para a ideia que o guiou na elaboração da sua obra, acabando por expressar as linhas mestras de um novo conceito de História, muito diferente do que então era habitual. Também neste campo Herculano acabou por ser um precursor, em Portugal. Eis alguns trechos da “Advertência” à 1ª edição:
“Erros, havê-los-á neste volume, bem como nos que se lhe seguirem. O que, porém, posso afirmar com a mão na consciência é que eles foram involuntários. Tenho fé que não me cegou malevolência para com os estranhos, nem parcialidade pela terra natal. Para o homem sacrificar a longas e áridas investigações, frequentes vezes sem resultado, todas as faculdades do espírito, quase todas as horas da vida, com o intuito de dar ao seu país uma história, se não boa, ao menos sincera, é necessário, creio eu, algum amor da pátria. Cifrei-o nisso tão-somente. Convertendo em realidade o meu pensamento, procurei esquecer-me de que sou português, e parece-me tê-lo alcançado. O patriotismo pode inspirar a poesia; pode aviventar o estilo; mas é o péssimo conselheiro do historiador. Quantas vezes, levado de tão mau guia, ele vê os factos através do prisma das preocupações nacionais, e nem sequer suspeita que o mundo se rirá, não só dele, o que pouco importará, mas também da credulidade e ignorância do seu país, o qual desonrou, crendo exaltá-lo! Dos que por má-fé assim procedem não falo eu aqui. Esses lisonjeiros das multidões são tão abjectos como os lisonjeiros dos reis, quando os reis eram os dispensadores das reputações e das recompensas. (…)
É, sem dúvida, custoso ver desfazerem-se em fumo crenças arreigadas por séculos, a cuja inspiração nossos avós deveram, em parte, o esforço e a confiança na Providência em meio dos grandes riscos da pátria; crenças inventadas, talvez, para espertar os ânimos abatidos em circunstâncias dificultosas. Sei isto; mas também sei que a ciência da história caminha na Europa com passos ao mesmo tempo firmes e rápidos, e que, se não tivermos o generoso ânimo de dizermos a nós próprios a verdade, os estranhos no-la virão dizer com mais cruel franqueza. Caluniadores involuntários do seu país são aqueles que imaginam estar vinculada a reputação dos antepassados a sucessos ou vãos, ou engrandecidos com particularidades não provadas nem prováveis. Acaso Portugal não achará nas memórias verídicas da sua longa existência recordações formosas e puras para nos repreender, com a energia e glória de outros tempos, da degeneração e decadência presentes? Quem assim o crê insulta a memória de gerações que valiam mais que nós, e que recusariam, se pudessem fazê-lo, façanhas que não praticaram, virtudes que não tiveram; porque possuíram outras que eram suas, e de que nunca os progressos da história hão-de esbulhá-las. (…)”.
Ver as principais obras de Alexandre Herculano na base BND (Biblioteca Nacional Digital), da BNP: http://purl.pt/index/geral/aut/PT/22536.html
Parece não existir um site dedicado a Alexandre Herculano. Na sua ausência ver a Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Alexandre_Herculano
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
António Sérgio, Os partidos e os chefes...
A partir de 1927, há portanto 85 anos, António Sérgio escreveu, do exílio, uns textos a que chamou “Notas políticas”. De entre elas, queremos destacar uma sobre os partidos políticos e os respectivos chefes, escrita em Paris, que começa assim:
“Creio que o carácter mais deplorável das discussões políticas portuguesas provém do aspecto de questão pessoal sob que vemos todas as cousas, e da concepção estreita e negativista que entre nós se tem do partidarismo.
De aí resulta que o partidário se não identifica com uma dada ideia, mas sim com os seus chefes; que qualquer crítica a um acto dos chefes é sempre recebida pelo partidário, não com a serenidade e compreensão com que se deve receber a divergência de ideias, mas com as explosões com que os mais impulsivos recebem o insulto pessoal; e que o cidadão simples e não partidário, o indivíduo que se interessa pela cousa pública e que pretende fiscalizar aqueles que governam, - mas sem ter desejos de governar ele próprio ou de apoiar por sistema qualquer governante - é espécie de homem que ninguém entende, a ponto de não perceberem, por exemplo, que discordemos do chefe A em certo acto, mas que concordemos com ele em outros casos, ou discordemos dos actos do senhor A sem que lhe votemos por isso um imenso ódio (e não só a ele, mas a todo o partido), e sem que discordemos no só intuito de «fazermos o jogo» do chefe B, adversário político do chefe A.
Parece-me isto tanto mais nocivo, quanto impede a existência e desenvolvimento daquilo que é talvez o mais necessário para carrilar a vida da nossa política, isto é, a influência efectiva dos não partidários, - a fiscalização dos homens que nos governam, não só por parte dos seus adversários, filiados nos partidos que não estão no governo (os quais são impelidos, por via de regra, a um ataque geral e sistemático, falho de imparcialidade e de justiça), mas pelo cidadão de boa vontade, não filiado em nenhum partido, sem sectarismo e sem paixão, e capaz de apoiar em certos casos, e de contrariar em outros casos, o mesmo partido ou o mesmo chefe”.
Nota: A crónica era sobretudo dirigida aos políticos republicanos, muitos dos quais se encontraram no exílio depois do 28 de Maio, no sentido de todos reconhecerem que, a partir de então, só poderia haver um inimigo – a ditadura militar instalada em Portugal.
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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Alberto Sampaio, A prosperidade aparente!
Alberto Sampaio, historiador, pioneiro dos estudos de história económica e social em Portugal, publicou, em Janeiro de 1892 (Guimarães), há portanto 120 anos, uma obra com o título Ontem e Hoje, de que se extraem os seguintes trechos:
“Sustado no meio do seu desenvolvimento, Portugal nunca pôde na administração pública compensar a receita com a despesa, nem economicamente estabelecer o equilíbrio entre a produção e o consumo, de forma a tomar-se um organismo, satisfazendo-se todas as exigências da vida social. Por isso sucedem-se amiúdo as catástrofes que a população expia em silêncio; por isso os melhores tempos são sempre de uma prosperidade aparente, porque dependem de condições fortuitas, fora da sua acção.
(…)
Poder-se-ia entrar definitivamente na vida moderna, sem se tratar a sério das duas questões fundamentais em que ela assenta - o trabalho que cria as riquezas nas suas múltiplas manifestações, desde a lavoura até às indústrias artísticas, e o ensino que ilumina o espírito? Se fosse possível a afirmativa, Portugal teria sido uma excepção singular em todo o mundo; mas não é, porque, pode afirmar-se sem erro, de não ter entrado ainda na vida das nações progressivas, cujas exterioridades tem somente imitado.
Os novos personagens políticos, derrubando todas as antigas instituições, vestiram-no efectivamente à moderna; deixaram, porém, persistir nos indivíduos a rudeza e a indiferença pelos negócios públicos, e na nação o crónico desequilíbrio económico (…)
(…)
Mas querer que fosse doutro modo será exigir mais do que a natureza pode dar. Cada país tem o governo que lhe é adequado; e a sociedade portuguesa, sustada em meio do desenvolvimento, nunca chegou a ser um organismo colectivo, vivendo do seu trabalho, com ideal político comum, capaz de se raciocinar e exprimir uma vontade geral. Ela constitui sem dúvida uma excepção na Europa. Ontem como hoje, tem sido sempre uma sociedade de aventureiros. Emudecida sobre as questões referentes ao bem da comunidade, só a interessam a emigração e as aventuras de além-mar. O que cada um deseja é que o deixem sair; lá fora será então um homem, e mostrará toda a perseverante energia do seu carácter; enquanto aqui, na sua terra, deixa-se ir à mercê das ambições dos que tomaram o poder e levantaram o cenário que mais lhes agradava.
Por isso, quando aparecem estas situações de miséria e penúria, constantes na sua história, a população resigna-se e sofre tudo; ou emigra, acostumada como está à aventura. Punge-lhe, sem dúvida, o remorso de ter deixado de procurar nas épocas de abundância a estabilidade definitiva na mais estrita parcimónia das despesas públicas, no equilíbrio da produção e consumo, e na cultura desses desertos que serão sempre a vergonha dos habitantes deste canto do mundo. Nos momentos de crise é tarde; fundas economias na administração geral aumentariam mais o número dos desempregados, e para a reorganização do trabalho falta o capital; falta o tempo, porque a fome bate implacável à porta do pobre. Então a emigração é o único expediente para ele; silenciosamente e resignadamente cada um vai partindo sem talvez uma palavra de amargura. Os que ficam acalentam no fundo do coração sobre todas qualquer esperança que não dependa da actividade colectiva (…). E todos esperam, no meio de ruínas, que volte a bonança para repetirem, mais uma vez a mesma norma de vida do passado”.
Guimarães, Janeiro de 1892
Ver mais sobre a vida e a obra de Alberto Sampaio: http://www.albertosampaio.blogspot.com/search/label/Obra
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sábado, 7 de janeiro de 2012
Jaime Cortesão, A Formação Democrática de Portugal
Jaime Cortesão escreveu em Paris, em 1928, faz portanto 84 anos, um texto intitulado “A Formação Democrática de Portugal”, depois incluído nas suas obras completas, no volume “Os Factores Democráticos na Formação de Portugal”. Em várias ocasiões, Jaime Cortesão procura trazer em auxílio da sua concepção democrática da história portuguesa, o próprio conceito de História, enquanto actividade científica. Eis um pequeno trecho daquele ensaio:
“Dissemos que a História é a consciência dos povos. Podemos acrescentar que é igualmente a consciência da Humanidade, e tanto mais o será daqueles quanto com a desta se confunda. Nenhum acto nacional pode ser mais próprio a dar o sentido e a medida da individualidade colectiva do que aqueles que transcendem os interesses da Grei e servem vastos desígnios e ideais humanos. Ora o traço entre todos eminente da fisionomia nacional é o carácter profundamente universalista, nas suas origens, na sua formação, na sua missão, nas suas consequências, da história portuguesa.
Supor que a índole democrática do nosso povo deriva do acto gracioso dos príncipes, concedendo as cartas do concelho, ou das tradições administrativas, deixadas como um resíduo secular pelo império romano, como Herculano, na esteira de Guizot e Thierry, imaginou; ou das instituições judiciais germânicas, conservadas pelos Visigodos, como afirmou Hinojosa, à maneira de Below e Lamprecht, equivale desde logo a desconhecer a essência, o espírito, o elemento vivificador das nossas origens, sem o qual se torna impossível compreender a totalidade da nossa história.
A formação de Portugal é conjuntamente uma consequência e uma fase da revolução económico-social, política e religiosa, que transforma a Europa entre os séculos XI e XIV. E a liberdade, o acesso das classes populares à administração local e pública e a sua ingerência na política da Nação não representam herança ou doação, mas sim uma conquista revolucionária”.
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Camilo Castelo Branco, Calisto Elói, o luxo e a ordem!
Camilo Castelo Branco publicou em 1866, faz portanto 146 anos, o seu romance A Queda de um Anjo. Calisto Elói é o conhecido herói do romance, que Camilo apresenta logo no primeiro capítulo. Deixo aqui dois pequenos trechos muito elucidativos:
1. “Andava o ânimo de Calisto Elói martelado pelo desejo de pôr cobro ao luxo da gente de Lisboa (…) Rebelde às admoestações sisudas de amigos, que lhe receavam alguma queda mortal no conceito da Câmara, Calisto, provocado por um debate sobre importação e direitos de objectos de luxo, pediu a palavra, e o mesmo foi alvorotar alegremente a Câmara, desejosa de ouvi-lo.
Concedida a palavra, e feito o silêncio da curiosidade na sala, ergueu-se o morgado de Agra, e orou deste feitio:
- Sr. presidente. Os conselheiros dos antigos reis de Portugal, homens de claro juízo e ciência bastante, cortavam os abusos do luxo com pragmáticas, quando os vassalos se desmandavam em trajos, regalos e ostentações ruinosas do indivíduo, e, portanto, da cidade. (…)
O que eu vejo, sr. presidente, são sete abismos, e à boca de cada um o rótulo dos sete pecados capitais que assolaram Babilónia, Cartago, Tebas, Roma, Tiro, etc. É o luxo, sr. presidente!
(…)
- De que desconhecida lua choveu ouro sobre estes peraltas enluvados e encamistrados que pejam os teatros, praças e botequins de Lisboa? (…)
À custa de quem se vestem estes Narcisos e Adónis? Que incógnitos veios de ouro exploram? Qual é sua arte, se não devo antes perguntar quais sejam suas manhas ou ronhas? Que sabe a polícia deles?”.
2. “Na primeira votação importante para o ministério, Calisto Elói defendeu o projecto que era vital para o Governo, e fez-se desde logo necessário à situação. Orou, por vezes, com seriedade tal de princípios, que não servem para romance os seus discursos. Explicou a profissão da sua nova fé, respeitando as crenças políticas dos seus antigos correlegionários. Disse que escolhia o seu humilde posto nas fileiras dos governamentais, porque era figadal inimigo da desordem, e convencido estava de que a ordem só podia mantê-la o poder executivo, e não só mantê-la, senão defendê-la para consolidar as posições, obtidas contra os cobiçosos delas. Reflexionou sisudamente e fez escola. Seguiram-se-lhe discípulos convictíssimos, que ainda agora pugnam por todos os governos, e por amor da ordem que está no poder executivo”.
Ver mais sobre Camilo em:
http://casadecamilo.wordpress.com/
e especialmente:
http://casadecamilo.wordpress.com/2010/11/19/a-queda-dum-anjo/
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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Manuel Vieira Pinto, Repensar a Guerra
No dia 1 de Janeiro de 1974, fez ontem 38 anos, o Bispo de Nampula, D. Manuel Vieira Pinto, fez uma homilía com o título "Repensar a Guerra", a que muitos dos elementos do Movimento dos Capitães em Moçambique tivemos o privilégio de assistir. Dois meses depois, em Março, foi expulso de Moçambique. Eis um pequeno trecho:
"Ouvi-me uma vez ainda, homens que chegastes ao limiar do novo ano de 1974. Ouvi-me, repito. Eu quero falar-vos uma vez mais de paz.
(…)
A paz é algo que se deve não apenas manter mas produzir, e produzir a partir da verdade, da justiça, do amor e da liberdade; a partir da consciência política do homem. Não é, por conseguinte, compatível com a “ordem” à custa da verdade, da justiça, do amor e da liberdade; não é repressão, não é medo, não é silêncio, não é morte. A paz é o homem, e o homem é o coração da paz. Daqui a necessidade urgente de tomar o homem a sério se queremos seriamente a paz. E não apenas o homem sem nome, distante, desconhecido, mas o homem daqui e de hoje, o homem que em Moçambique sofre, há quase dez anos, a violência da guerra, e que certamente deseja a paz.
Por isso, falar da paz em Moçambique sem falar lealmente da guerra que o mancha de sangue seria iludir o problema fundamental; seria aumentar a violência. Já o profeta Ezequiel se insurgia contra os falsos profetas que, enganando o povo, afirmavam que tudo ia bem, quando tudo ia mal (Ez. 13.10-16)".
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